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Posted by : Euphimea domingo, 23 de fevereiro de 2014




A minha voz não saiu. No momento que eu mais precisava dela. Dimitry entendeu que tinha algo de errado comigo. Retirou o sobretudo grande e pesado colocando sobre mim.
- Você está encharcada Euphy.
As gotas de chuva caiam sobre ele, mas não o molhavam isso era fascinante. Procurei não me distrair. Eu tinha que fazer o meu pedido.
- Dimitry. - eu pensei e pelo movimentos dos seus olhos, que fitavam a chuva sobre minha cabeça e depois encarou-me, ele me ouviu. - Transforma-me. - eu pensei sem rodeios. Ele assustou-se e deu um passo para trás. Seu rosto contorceu-se em dor e ficou estarrecido com o meu pedido.
- Você faz ideia do que está me pedindo?
- Não. - consegui dizer. - Mas... O que você sentiu quando encontrou Mary Madalene morta?
Nova careta de dor, porém essa era de tristeza e remorso.  - Damian está morrendo. - disse e minha voz saiu trêmula.
- Foi o destino que ele escolheu.
- Como é? - perguntei surpresa sem entender.
- Ele sabia que aquela moça apareceria e iria atirar em você. Ele tinha duas opções morrer no seu lugar ou deixá-la morrer.
Agora era eu que estava chocada. Por isso que ele estava tão estranho. Ele fez o máximo para se divertir com os amigos e fez tudo para que as pessoas tivesse boas lembranças dele. E eu odiava aquilo. Dele esconder algumas coisas de mim para me proteger ou de sempre ser a última a saber.
Meu peito voltou a dor ainda mais e eu supliquei ao Dimitry.
- Eu te peço, Dimitry. Eu não vou conseguir viver sem ele.
- Eu não quero cometer esse crime. - falou com a voz levemente tremula e seus olhos ficaram ainda mais tristes.
- Crime será deixar o Damian morrer! - gritei desesperada avançando ferozmente. - Eu estou jogando minha vida humana fora! Tudo para ficar com ele!
Ele fez cara de dor novamente, estava lembrando de si mesmo em mim. Recuou dois passos para trás e eu avancei o perseguindo.
- Você não sabe o que é passar anos se culpando... - lamentou-se.
- Eu não sei, mas imagino e eu vou passar anos me culpando da mesma forma por tê-lo deixado morrer até o último momento da minha vida! - gritei chorando.
- Eu posso transformá-lo. Ele nunca irá me perdoar por quebrar nosso acordo, mas posso viver com isso.
- Não! - gritei sentindo meus pulmões doerem, depois tentei manter o tom de voz normal. - Eu não quero que o dia nos separe. Ele vai ter que viver escondido igual a você. Serão dois infelizes. Porém se ambos forem transformados isso não será problema.
- Euphy não me tente. - isso quer dizer que ele estava quase aceitando. Recuou novamente quatro passos para trás e eu prossegui sem medo. Então eu procurei acertar seu ponto fraco.
- E seremos uma família. - a surpresa estampou-se em seu rosto. - Eu, você, Damian e Hanako. Uma hora você terá que transformá-la, não é mesmo?
- Ela não vai querer. - disse convicto.
- Ela vai mudar de ideia. Eu sei, porque eu sou igual a ela e quando vi que não tinha mais como fugir eu aceitei o meu passado com Damian.
- Iremos morar juntos? - perguntou interessado com o rosto iluminado. Sua expressão de tristeza  mudou-se drasticamente.
- É claro. Seremos como irmãos. - respondi estendendo a mão para que ele apertasse em um acordo.
- Bem... Damian ficará muito zangado comigo, mas... Eu aceito. - concordou apertando a minha mão.
- Então negocio fechado. - confirmei sorrindo e senti-me mais aliviada. Foi quando percebi que a floresta a minha volta desaparecera e me vi dentro de uma caverna escura. - Onde estou?
- Teletransportei-a para te transformar longe da chuva.
- Estamos muito longe do hospital? - indaguei preocupada.
- Há 4 quilômetros, mas quando você estiver transformada a distância não será problema. - respondeu com um sorriso pegando o sobretudo de volta o colocando em um canto. - Espere um pouco eu já volto. - mal terminou de dizer desapareceu e quando eu ia dar um passo para olhar onde estávamos Dimitry havia voltado.
- Onde você foi? - perguntei surpresa ao ver uma roupa minha em suas mãos. Era uma blusa de moletom verde escuro e uma calça jeans. Também me trouxe sapatilhas.      
- No seu apartamento pegar suas roupas para trocar depois que se transformar, pois irá se sujar. - agora a sua voz parecia animada. Colocou minha roupa um pouco afastada de seu sobretudo molhado.
Enquanto estava virado eu aproveitar para tirar meu casaco o tacando no chão atrás de mim e abri dois botões da minha blusa branca perguntando:
- Vai doer?
- A transformação sim, se eu pudesse amenizá-la eu o faria. - respondeu.
Dimitry ao se virar teve uma surpresa. Enquanto eu olhava para o chão amarrava meu cabelo em um coque para facilitar, o ouvir engasgar e gemer. Ao olhá-lo, eu o vi  segurar sua própria garganta e começou a tremer. Fazia tempo que sentia sede e suas refeições não o satisfaziam.
- Euphy... - gemeu como se tivesse pedindo desculpas e em um instante suas presas encravaram em meu pescoço. Seu braço segurou o meio das minhas costas e era tão forte como uma barra de ferro. A outra mão passou pela minha cintura em um envolvente abraço. Ele não lambeu meu pescoço antes, por isso que eu senti a dor que era semelhante a um corte com faca de serra.
O movimento que fazia com a boca era muito prazeroso, excitante na verdade e depois de um tempo sua saliva já anestesiava o local.
Meu coração que estava um pouco mais calmo acelerou novamente e o meu instinto de preservação o queria longe de mim. Empurrei seus ombros com a força que eu tinha e seu canino rasgou ainda mais meu pescoço.
- Ai! - resmunguei parando.
 As lembranças de minha vida jorravam na minha mente como um filme em preto e branco. Procurei fechar os olhos e terminei por fim abraçando-o. Meu corpo tremia por conta da adrenalina e senti meu coração bater na garganta.
Dimitry sorveu, sorveu e sorveu. Não sei quantos litros ele bebeu e quanto mais bebia, mais eu achava que não terminava nunca ou que ele iria explodir de tanto sangue. Mas ele continuava ali tão perto e seu cheiro era formidável. Sua respiração quente batia em meu rosto enquanto ouvia perfeitamente ele me chupando e gemendo, aquilo fez-me envergonhar.
- Dimitry. - sussurrei e ele parou. Sentia-me fraca e meus braços soltaram-se dele. Ele continuou me segurando firme perto de seu peito.
- O que foi? - perguntou em meu ouvido com a voz sedutora que jamais ouvira. Acredito que não queria que eu visse sua boca lambuzada, permanecendo na mesma posição.
- O seu... Cheiro... É muito bom. - não sei porque senti vontade de dizer isso.
- Ah... uhu. - gemeu e riu um pouco. - É a fragrância de um vampiro. Qualquer mortal se sente atraído por ela. - falou de novo com a voz muito suave e morna e lambeu o sangue que escorria de meu pescoço fazendo-me estremecer.  E sussurrou: - Quem tem cheiro bom e doce é você Euphy.
Ele estava diferente nem parecia o Dimitry triste de antes. E não se importou em me morder novamente mais perto da minha orelha. Mordeu exatamente onde me era mais sensível. Meu corpo inteiro arrepiou-se e curvou-se para trás. Removeu os dentes e sugou movimentando os lábios em um beijo prazeroso. Parou de sugar e riu em meu ouvido.
- Excitante não? - perguntou, mas não esperou por resposta e voltou a sugar e sugar. Seu corpo estava morno e eu ouvi dois corações batendo. Era o meu e o dele. Também senti seu membro encostado em mim enrijecer.
- "Ele está excitado!"-pensei e não o deveria, era para eu ficar constrangida, mas não fiquei. Tive até vontade de ter uma relação sexual com ele.
- "Isso é normal você me querer."- disse ousadamente em minha mente. - "Mas se nós fizérmos eu me desconcentraria e a mataria."
- Acho que vou ficar só na vontade. - disse já delirando.
Procurei manter os olhos abertos e não vi nada além de escuridão. Também estava ficando tonta e nauseada. Minha pressão deve ter abaixando. Aos poucos não conseguia mais ouvir o som da chuva e dos trovões. Cada vez mais eu mergulhava em um abismo. Eu estava perdendo meus sentidos. Já não sabia se meus olhos estavam abertos ou fechados. Meu corpo inteiro formigava e não sentia mais as pontas dos dedos das mãos e dos pés. Também comecei a sentir frio e muito.
- "Então é assim que se morre?" - indaguei com o resto de pensamento que eu tinha.
Comecei a sonhar com estrelas. Como se flutuava no espaço, vendo galáxias e mais galáxias. Já nem me lembrava mais o que estava acontecendo. Não sei quanto tempo passou, mas fui acordada com alguma coisa entrando pela minha boca. Era um liquido grosso. Parecia que eu tomava uma garrafa de azeite, mas o gosto não era muito bom. E estava morno. Eu não queria tomar aquilo, mas era inevitável, escorria automaticamente para minha garganta.
O primeiro sentido que voltou foi o olfato e o cheiro me dizia que era sangue o que eu estava tomando. Deu-me mais vontade de cuspir, porém meu outro sentido além do paladar que voltara, o tato, dizia-me que uma outra boca me impedia. Eu estava sendo beijada por Dimitry?
Minha primeira reação foi querer sair por sentir que estava traindo Damian, porém lembrei que era o "beijo da morte" que ele estava me dando. E até confesso que não era de todo mal.
O som da chuva retornou aos meus ouvidos misturando com um zumbido muito forte e aos poucos comecei a ver alguma coisa. Era escuro e foi se tornando amarronzado. Logo identifiquei o lindo cabelo de Dimitry caindo sobre meu rosto. Queria poder tocá-lo, mas ainda não conseguia me mover.
- Tão pura. - ele valou docemente. - Nunca bebi um sangue como esse.
Eu o ouvi, mas foi como se meus ouvidos estivesse tampados. Depois o vi se afastando e permaneci olhando para o teto da caverna escura percebendo que estava deitada. Ele estava em pé e chamou-me:
- Euphy? Pode me ouvir?
Eu não consegui falar. Minha boca ainda estava cheia de sangue. Não estava conseguindo engoli-lo. Fechei os olhos em resposta e ele explicou-me:
- Para uma humana é horrível o gosto do sangue. Ainda mais sangue tóxico de um vampiro.
De fato era amargo. Preferia mil vezes beber uma garrafa inteira de vinagre do que tomar aquilo. Se eu cuspisse duas coisas aconteceriam : Uma o sangue ia voar para o meu rosto e dois talvez minha transformação não daria certo. Procurei engolir aquilo de uma vez. Minha boca pedia água desesperadamente e comecei a respirar por ela.
Vi Dimitry passar por mim até a entrada da caverna e coletou água da chuva que pingava com as mãos em forma de concha e deu-me para beber.
- Vai aliviar um pouco. - de fato aliviou.
Nova náusea e meu estomago começou a doer. Ele não queria digerir aquele sangue. Eu queri vomitar e finalmente conseguir mover meu corpo de lado e pus-me a tossir.
- É horrível ver isso Euphy. - ele falou, sua voz era lamentosa. - Mas agora  irá começar sua transformação. Espero que a suporte.
Meu coração batia tão devagar que achei que ele tinha parado. A ponta dos meus dedos começaram a queimar e senti algo correr junto com resto de sangue em minhas veias. Parecia que tinha tomado uma vacina e o liquido doloso se espalhava pelo meu corpo. Ardia e queimava. Por onde passava deixava uma espécie de dormência como aquela parte estivesse enfiado no gelo.
Logo as lembranças de Dimitry passaram diante dos meus olhos. Tudo o que ele viveu, seus sentimentos e pensamentos fluíam dentro de mim num rio. Senti dor nos dentes como se tivesse acabado de vir de um dentista e apertado um aparelho. Minha língua feriu-se na ponta de um canino e assustei-me por está enorme e pontudo. Minhas mãos congelavam e meus pés dentro do sapato também. Eu lembro que eu gritava muito de dor. E parecia que aquilo nunca iria acabar. Minha cabeça iria explodir de tanta dor.
Até que de repente parou. A chuva eram tão alta que a impressão que eu tinha era que estava deitada sobre as nuvens. Ouvi a respiração de Dimitry, era  tão ofegante e bem nítida ao meu lado. Antes tão suave que cheguei a pensar que ele não respirava, por ser sutil demais. Agora eu conseguia ouvi-lo perfeitamente. Inclusive seu coração como um tambor bem forte e ouvi outro tambor que identifiquei ser o meu coração.
 - "Então vampiros são semi-mortos?" - pensei e o que ouvi foi tão alto como se eu tivesse gritado. Fiz uma careta por meus ouvidos doerem com a minha própria voz.
- Consegue se levantar? - perguntou preocupado atrás de mim. Eu o ouvi claramente e me incomodava. Era ruido demais ao mesmo tempo.
- Acho... que sim. - falei abaixando meu tom de voz e tentando me acostumar com a minha nova mega audição. Sentei de lado e meu cabelo caiu para frente onduladamente. Minhas mãos eram de um branco acinzentado como se tivesse sido esculpidas num osso gigante e não sentia mais o meu calor. E eram frias como um bloco de gelo.
Dimitry estendeu a mão perto do meu rosto e a impressão que tive era que iria me acertar por isso afastei um pouco o fazendo rir.
- Sua visão está aguçada, logo você se acostuma. Venha, vou lhe ajudar a se levantar. - segurei-a  e ouvi suas juntas estalarem. Um pequeno gemido de dor saiu de sua boca. - Procure usar menos força. Agora qualquer movimento é forte demais. Estava assustada demais para achar graça de algo.
Levantei e me sentia completamente leve, parecia que flutuava. Assustei-me quando vi o chão coberto de sangue misturado com cabelo.
Abaixei para pegá-lo e percebi que era o aplique que eu usara. Ele caíra e meu cabelo crescera novamente. Ao virar-me, Dimitry não estava mais lá, porém eu o vi em outro lugar. Fora pegar uma bacia com água e sabão, assim que a pegou nessa especie de visão, já o pude ver na minha frente carregando- a. Colocou-a em uma parte alta numa pedra da caverna.
Quando fui dar um passo a bacia chegou perto de mim. Não, eu que cheguei rápido demais até ela recuei o corpo para não bater e fui parar no lado oposta da caverna.
- Venha, imite meus passos. - falou Dimitry estendendo a mão e eu pousei a minha sobre a dele para não apertá-la de novo. Seguei seus movimentos me sentindo um bebê que aprendia a andar. - Muito bom. - elogiou com a voz risonha.
Vi meu reflexo na água como se olhasse um espelho e era tão nítido como se a caverna tivesse luz.
A primeira coisa que vi foram meus olhos que agora eram vermelhos brilhantes. Depois minha boca toda lambuzada de sangue. Agora o gosto não era ruim e pus minha língua para fora limpando em volta.
- Quero mais. - eu disse ferozmente quando não tinha mais vestígio de sangue em meu rosto.
- Vai ter que esperar. - ele falou sem emoção alguma.
Eu avancei para ele o derrubando e mordi o seu pescoço. Dimitry preocupou-se e falou tentando me acalmar:
- Euphimea... Calma, eu sei que a sede é muito forte, mas se controle, por favor. Não se esqueça que temos que transformar o Damian.
Quando ele disse seu nome eu parei e fui tomada pela tristeza novamente. Soltei-o e falei um desculpe rosnado. Voltei para a bacia e comecei a limpar o vestígio de sangue do meu pescoço e colo. Percebi que estava mais morna e isso me fazia sentir mais humana.
A camisa era quase vermelha de tanto sangue embebido. Dimitry estendeu as roupas e virou de costas para que eu me trocasse e aparentasse menos selvagem. Quando voltei a ver meu rosto na água vermelha eu parecia bem melhor.
Lábios incrivelmente rubros, pálpebras escuras como se estive usando sombra, cílios longos e negros e o que era melhor seios fartos. Dei uma gargalhada de felicidade.
- O que foi? - indagou Dimitry também sorrindo virando-se, algo que antes não se via nele.
- Olha isso. - falei animada como se tivesse ganhado um presente. Peguei a mão dele e coloquei sobre meu seio direito. - Viu como estão enormes?! Agora eu tenho dois melões dentro do meu sutiã!
- E-euphy. - gaguejou sem jeito arrancando a mão e seu rosto corou devido ao sangue que tomara, mas logo desapareceu. - Você não deixa de ser uma tentação agora. - falou desviando o olhar me fazendo rir infantil.
Enquanto cutucava-os como se fossem gelatinas, Dimitry pegou seu sobretudo e aproximou-se de mim falando:
- Vamos para o hospital agora.
Eu parei de imediato. Sua voz ecoava como de mestre. Cada palavra soava como uma ordem. E de fato era o meu criador e eu deveria respeitá-lo como meu superior. Eu olhei para fora. A chuva diminuiu e vi o hospital bem perto do meu rosto.
- Vamos correr, pois você ainda não sabe se teletransportar. - explicou.
- Entendi. - respondi e ele começou a correr e eu o segui. Era emocionante. Parecia que eu dirigia um carro em alta velocidade e enxergava muito bem naquela escuridão. Comecei a gargalhar de novo e ouvi Dimitry fazer o mesmo. Ele não estava mais arrependido, afinal agora tinha uma companhia.
Rapidamente chegamos na porta do hospital. Eu sentia o calor dos humanos na minha pele e aquilo era bom. Senti cheiro diversos e o que mais me atraia era de gente suada. Meus olhos conseguiam ver através das paredes como se tudo fosse de vidro. Impulsionei meu corpo para frente, porém fui impedida por Dimitry.
- Você será vista. Venha comigo.
O imitei em tudo e ele me conduziu até o interior do hospital sem sermos vistos. Rapidamente chegamos no leito de Damian. As luzes estavam semi apagadas, mas para um vampiro isso não era quase escuridão. Ele ainda estava vivo e senti o peso de meu peito ir embora. O tom de seu coração batendo na maquina era tão alto que irritava-me  e minha vontade foi de arrancar os aparelhos quebrando-os.
- Tire todos os aparelhos dele e deixe apenas o do oxigênio. - pediu Dimitry. - Com cautela. - frisou.
Eu obedeci e cada puxada arrancava os fios danificando as máquinas. Dimitry suspirou. Uma delas começou apitar bem alto e eu arranquei a tomada da parede. Fiz o mesmo com todos e apenas deixei o oxigênio nele.
- Agora segure minha mão e a dele. - falou segurando uma mão do Damian.
Então demos as mãos. Tudo a nossa volta sumiu e estávamos de volta na caverna. Damian sem o oxigênio respirava bem pouco pelo que vi e ouvi deixando-me desesperada. Seu corpo agora deitado ao lado da sujeira de minha transformação. Meus olhos percorreram seu corpo nu, afinal quando vamos para a UTI, tiram nossas roupas.
- Euphimea, preste bastante atenção. - falou Dimitry sério e minha cabeça moveu rapidamente em sua direção. - Vou te instruir na transformação dele, mas qualquer erro poderá causá-lhe a morte.
- Certo. - respondi ansiosa.
- Olhe para o seu pescoço. - obedeci e consegui ver suas veias cheia de sangue.
Sentir a minha garganta fechar e secar. Ao mesmo tempo meu corpo queria se atirar para ele. Era a sede. Dimitry me segurou para não atacá-lo e eu queira empurrá-lo.
- Se controle. - ordenou e meu corpo parou imediatamente. - Aquela veia mais grossa é a carótida, se você a morder ele para de respirar e morre.  As jugulares externas um pouco mais finas, também, se a morder ele morre.
- Então qualquer veia que eu morder ele irá morrer. - debochei revirando os olhos.
- Nem todas. A jugular interna é bastante grossa e mais existente. Ela é fica na parte interna e mais a trás. - ele soltou-me, aproximando e apontou com o dedo a veia. - Essa você pode morder sem problemas.
Eu tive medo de me aproximar e o atacar de forma errada. Eu procurei mover-me lenta-me e parecia que estava andando como humano.
- Ele irá sentir frio, por isso o abrace e fique sobre ele.
- Entendi. - eu sentei em sua cintura para não pesar seu abdômen, puxei seu tronco o deixando semi-sentado e o abracei. Novamente aquela sensação de imã. Permaneci focada na veia e deixei ser levada pelo meu corpo mordendo ali. Ouvi seu resmungo de dor que soou para mim como um gemido de prazer. Assim que meus caninos furaram sua pele com tanta facilidade o sangue escorreu imediatamente pela minha boca. E eu comecei a sugar fechando os olhos. O gosto era de eu tomando algo muito doce e muito gostoso. Um drinque sem álcool. E eu continuei bebendo e bebendo.
Dimitry apenas observava ao meu lado atento a qualquer alteração biológica de Damian. Eu senti seu coração batendo dentro de mim como se tivesse segurando um passarinho nas mãos. Quanto mais eu bebia, mais eu queira. E prosseguir sorvendo e sorvendo. Então a mesma visão que tive de Dimitry tive de Damian passar diante de meus olhos.
- Mãe? Quando sabemos que gostamos de uma garota? - o vi quando criança falando com sua mãe, estava parada na sala assistindo a cena. Ela parou de escrever no computador para lhe dar atenção.
- Bem, seu coração bate mais forte e você começa ficar nervoso e a suar. Depois suas pernas tremem e o corpo inteiro parece que vai desabar. - sua mãe era muito bonita, mas linda que a minha.
- E quando você sabe que uma garota gosta de você?
- Já é mais difícil, nós garotas somos mais discretas. Mas você saberá quando ela gostar. Geralmente olhamos bastante para a pessoa que estamos interessada e desviamos o olhar quando ela nos encara.
- Entendi. Eu acho que estou apaixonado pela Euphimea.
- Que lindo meu filho. - sorriu o beijando na testa. - Por que você não diz isso para ela?
- Tenho um pouco de medo.
- Medo dela dizer não? Mas você nunca saberá se não disser.
Nova cena. Vejo-me pequena, brincando no parquinho com minhas vizinhas. Damian se aproximou do meu eu criança e o meu eu de agora assistia em pé do lado de fora do parque.
- Yufi. Posso falar contigo?
- Yufi? Olha Damian, eu não quero que me chame assim, entendeu? Meu nome já é feio e você fica me chamando de Yufi!
- Podemos conversar?- insistiu e notei que suas pernas tremiam.
- Depois, agora estou ocupada brincando com minhas amigas. - respondi seca. Ele abaixou a cabeça e saiu chorando.
- O que ele queria? - indagou uma menina, Larissa eu acho. Ah sim, isso mesmo, esse era o seu nome.
- Não sei. Que garoto chato eu não gosto dele. - eu disse.
Pelo movimento de cabeça do Damian em uma surpresa parando percebi que ele havia me escutado. Eu senti a sua dor. Eu senti o que ele sentiu nesse dia. Depois o vi com os pais colocando as malas para dentro do carro. Eles iriam se mudar e foram de carro. Um caminhão na contra mão bateu no veículo deixando-o vivo. A sua dor da perda dos pais foi bem maior do que saber que eu não o amava. Senti a sua solidão.
- Euphimea, se você estivesse comigo, eu não me sentiria tão só. - o ouvi sussurrar no enterro de seus pais.
- Damian? - alguém o chamou.
Era uma linda mulher e agora Damian parecia ter 15 anos. A vi passar a mão em entre suas pernas enquanto ele estava sentado. Ela deveria ter 20 anos a mais que ele. Logo o vi na cama com ela. Senti o seu prazer e seu medo. Eu odiei aquela cena. Também senti prazer no seu sofrimento, mas eu foquei no que eu sentiria se ainda fosse humana. Comecei a ter pena. Não era esse sentimento em que procurava. Então o sentimento que eu queria veio e comecei a sofrer junto com ele. Senti o seu vazio depois de transar com as mulheres que não eram eu. Parecia um buraco enorme no seu peito. Tudo em detalhes da sua vida eu assisti como se tivesse presente.
Até que chegou o momento de o vê-lo teclando no computador. Vi o nome de Elisa na tela. Senti sua felicidade e seu medo. Medo de ser rejeitado por mim de novo. Ele se transferiu para a escola em que eu fui enganada por Adam. Senti sua fúria e frustração.
- Amanhã eu falo com ela. - disse para si fitando o chão sentando sobre a cama.
No dia seguinte ele correu até a minha sala e eu não estava mais lá. Correu até a secretaria e descobriu que eu tinha sido transferida. Voltou a falar com a minha irmã e Elisa o contou que eu estava na Sweet Amoris bem perto da sua casa. Encerrou o aluguel do apartamento e voltou.
 Ele me viu andando de mãos dada com Jade saindo da escola. Depois viu-me com o Nathaniel e sentiu ódio pelo modo em que ele me manipulava e depois com o Castiel. Com ele Damian se sentiu triste. Era uma sensação de perda. A mesma dor no dia em que perdera seus país no acidente o invadiu de novo. Ouvi todos os meus pensamentos em sua mente. A capacidade que ele tinha de me ouvir eu poderia ouvi-lo em seu lugar pelo seu sangue. Senti sua decepção quando pintei meu cabelo de prata. Seu ódio pelo Castiel e seu incrível autocontrole para não espancá-lo e o incrível medo de me perder para sempre.
Damian se sentiu muito eufórico quando soube que eu tinha terminado com Castiel. O vi se infiltrar com os alunos que chegaram no ônibus e fazer a matrícula fingindo ser um deles.
Aquela raiva que ele tinha pelo Nathaniel passou. Ele tinha uma incrível capacidade de perdoar as pessoas. Isso me surpreendeu. Não imaginava que ele era assim. Ele viu todo o plano da Debrah  com Yuri e quis me avisar, mas a insegurança deu o rejeitar novamente o impedia de se aproximar. Todas as vezes que ele tentava vinha em sua mente aquela dor no dia em que eu disse que ele era chato e que não gostava dele. Até que viu o plano acontecer e o amor que tinha por mim para me proteger foi maior e veio falar comigo.
Seus olhos de ternura pousaram sobre mim assim que Yuri deu as costas e eu fui inundada junto com ele pelo seu amor, felicidade e afeto. Seu corpo tremia para falar comigo. Ele engoliu o seco, seus poros dilataram, seu coração disparou e seu corpo começou a tremer. Se controlou respirando fundo e tomou coragem para falar comigo. Abriu o armário fingindo que iria pegar alguma coisa e disse:
- Cuidado com ele, Euphimea. - falou controlando a voz para não sair nervosa, então foi por isso que eu achei sedutora.
- Obrigada, senpai. - agradeci sem saber o seu nome. Ele deu-me as costas e com a mão nos bolsos de sua calça jeans desbotada saiu para a sua sala e disse sem se virar.
 - Apenas Damian.
Ele estava incrivelmente eufórico e apaixonado. Suspirou para controlar sua emoção. Então eu mergulhei mas a fundo na visão. Dimitry ainda não falara nada então continuei a beber.
- "Yufi está fugindo de mim como água que escapa entre os dedos." - esse era seu pensamento de frustração. E uma dor em seu peito o sufocou fazendo seu corpo se curvar para frente. Assim como ele eu sentir a dor e soltei um resmungo. Era aquela dor que sentimos quando perdemos alguém que é importante. Sentimos medo, receio e desespero. Aquela sensação de solidão é intensa e qualquer ar frio nos faz sentir em uma área glacial.  Levantou aguentando a dor e se aproximou para falar comigo.
- Estou decepcionado com você, Euphi. - ele falou controlando seu sentimento de desespero e eu virei-me. Ele tinha muito auto-controle. Damian estava ali parado, a alguns metros de mim. Ele tinha me seguido, pois me viu no ônibus, mas me surpreendi foi com a aparição súbita. Estava sendo observada por ele o tempo todo. Recuei a uma distancia segura boa para correr.
- Como você me encontrou aqui? - perguntei com medo.
- Eu sei de todos os seus passos. - respondeu se aproximando e eu recuando. Preparei para correr, era como se eu estivesse fugindo de um assassino, porém ele me impediu segurando meu pulso.
- Vamos para casa, deixa de bobagens. - falou levemente aborrecido e tentou não alterar a voz. Damian estava desesperado.
- "Ele é chato eu não gosto dele". - minha voz infantil ecoou em sua mente de novo.
- Não! Eu preciso saber! Eu preciso saber quem é você!
"Ele é chato eu não gosto dele".
- Mas... você já não sabe? Eu sou Damian o seu namorado, ex-modelo, aluno do 3º ano da Sweet Amoris, seu vizinho de infância. - sua voz saiu melancólica. Eu tentava tirar meu braço de sua mão, mas todas as tentativas foram vãs e apenas me machucava. E o meu eu presente via tudo do outro lado da rua.
- Solte-me! - pedi com medo.
"Ele é chato eu não gosto dele".
Ele olhou em meus olhos e sua face se contorceu em dor. Sua mente estava em guerra entre a vontade de me arrastar a força ou me soltar. Imaginou como seria a minha primeira opção. Ele me puxou e eu gritava:
- Solte-me! Para onde você está me levando?! Se continuar a fazer isso eu nunca mais falarei com você! Eu te odeio!
É, eu iria dizer isso mesmo. Então inseguro e contrariado decidiu me soltar.
- Mais uma vez você me rejeita, Euphi. - lamentou-se e soltando-me. - Pode ir minha borboleta. - esperei mais um pouco antes de correr, ele se virou de costas enfiando as duas mãos nos bolsos de sua calça caqui dando um longo suspiro.
"Ele é chato eu não gosto dele".  
O vi cair de joelhos no chão e apertar o peito com a mão enquanto meu eu da visão corria para longe. Ele chorava de dor e se culpava sentindo-se um completo inútil. Parei de sugar seu sangue por um breve momento. Eu não queria ver mais aquilo. Lágrimas rolavam pela minha face e pelo cheiro eram lágrimas de sangue.
- O coração dele ainda bate fraco, Euphy. - falou Dimitry. - Precisa continuar se não ele morrer por falta de ar.
- Eu não quero. - choraminguei.
- Se não o fizer ele vai morrer. - disse sério.
Olhei para Damian desmaiado coberto de sangue na minha frente. Seu corpo estava gelado por conta de eu ter-lhe roubado o calor. Eu o abracei e levei a minha boca no seu sangue novamente. A sede já tinha se saciado, porém eu precisava o transformar. Voltei a beber e o incrível é que a sede voltou de imediato.
Ele andou para casa em sua solidão. Desejou morrer para acabar com o sofrimento. Se jogou no sofá e abraçou a si mesmo. Ficou deitado engolido e chorando feito uma criança.
Então esse era o Damian quando ninguém estava olhando? O Damian que ele escondia de todo mundo se passando por um cara forte, maduro e sábio? Ele havia desmoronado como um castelo de cartas. E chorou por horas. Depois parou. Viu-me em uma visão dormindo e sonhando com o Dimitry. Então ele falou com Dimitry em pensamento:
- Conte para ela toda a verdade.
- Vou ter que quebrar essa regra? - indagou Dimitry.
- Sim. Desculpe por isso, mas essa é a minha última esperança.
Então vi eu surpresa e eufórica por ter sido uma vampira  falando com a Jenna depois indo falar com o Dimitry e por fim indo parar na sua casa. Damian dormia de tão exausto por ter chorando e sofrido dores na sua alma. De repente acordou e deu um salto do sofá. Correu para falar o rosto e assim que terminou a campainha tocou. Era eu.
A cena seguiu para a nossa linda noite. Ele me amou tanto nesse dia, embora eu não tê-lo o amado tanto. A sensação que ele tinha era se pudesse me teria unida a ele para sempre. Então Dimitry disse:
- Euphimea pare! O coração dele está parando! - sua ordem me arrancou daquela visão fazendo meu corpo dobrar para trás o soltando. Meu coração se acelerou de novo. Ele vai morrer? - Morda-se e dê seu sangue para ele tomar depressa!
Nova ordem e automaticamente levei o meu pulso até a boca o mordendo e sovi meu sangue até minhas bochechas ficarem enorme. Abri a sua boca inclinando sua cabeça levemente para trás e depositei o sangue em sua garganta o beijando.
Quando fiz isso ele parou de respirar assustando-me. Olhei para Dimitry que olhou triste como quem dizia que não deu certo.
- Não... ele não pode ter morrido. Não, por favor. - eu chorei lágrimas de sangue novamente.
Dimitry veio e me tirou de cima dele abraçando-me sentando no chão novamente.
- Ele já não suportou Euphy.
- Não... por quê?! - eu gritei agarrando sua roupa com força. - Fomos separados pela morte!
Continuei gemendo e chorando nos braços de Dimitry tão terno e acolhedor, nem parecia um vampiro. Até que ouvi ele respirar de novo. Movi a cabeça para olhá-lo e vi o me sangue tóxico percorrendo suas veias escurecendo-as.
- Que... estranho. - sussurrou Dimitry observando ainda braçado a mim.
- O que é estranho?! - perguntei estérica agarrando sua gola quase o enforcando.
- Calma, calma. - pediu segurando meus pulsos e o soltei. - Seu coração parou e depois voltou a bater quando o sangue tóxico entrou.
- Isso quer dizer que deu tempo?
- ... isso que dizer que foi um milagre. - respondeu e eu o abracei o esmagando. - UH! - resmungou quando suas costelas estalaram.
- Desculpe. - pedi me levantando e aproximando de Damian que de repente começou a tossi e a gritar. Parecia muito bem. Senti Dimitry sumi. Fora buscar roupas para Damian. Mais alguns minutos de grito Damian abriu os olhos tão vermelhos e vivos.
- O... Que... Está... Acontecendo?
Aproximei e abaixei-me diante de seus olhos sorrindo. Ele olhou-me e não me reconheceu. Empurrou chão para sentar-se e olhou mais alguns segundos.
- Euphy?
- Yufi. - o corrigir.
Ele ergueu a mão para tocar meu rosto e puxou para perto de sim em um abraço de ferro. Ele como humano já tinha abraço de urso como vampiro era mil ursos me abraçando.
- Ah! - gritei sentindo meu corpo partir ao meio e ele parou. - Também senti sua falta. - falei com dificuldade.
 Suas sobrancelhas curvaram para cima e os olhos se tornaram em dor, expressão bem humana por sinal. Antes ele escondia e controlava suas expressões fazendo cara de "nada" e agora elas eram exageradas demais para um vampiro.
- Não sabia que você me amava tanto Yufi.
- Nem eu. -respondi sorrindo.
Ele calculava seus movimentos era bem engraçado e se aproximou para me beijar segurando minha cabeça com uma mão e o lábio com o polegar da outra mão. Seu cabelo se curvou para frente. Nos beijamos. Dimitry suspirou nos fazendo para e olhamos para ele segurando as roupas.
- Venha. - falei oferecendo a mão e ele a segurou fazendo o mesmo que eu a esmagando.
Tive que ensinar como se aproximava das coisas e usasse menos força. Se limpou se vestiu e disse encarando o Dimitry:
- Não sei se deveria perdoá-lo por isso, mas... Agora ficarei com a Euphy para sempre. - e sorriu deixando Dimitry aliviado.
- Perdoe-me. - pediu colocando a mão no peito e curvando-se.
- Aah... - suspirou passando o braço sobre meus ombros. - Continua o mesmo formal de sempre, tenho que lhe ensinar como viver no século XXI. - brincou.
- Dimitry, obrigada. - agradeci e ele ficou sem jeito.
- Dimitry. - ouvimos e era a voz de Hanako. Vinha da direção da cabana.
- Tenho que me retirar com licença. - pediu sumindo.
A sós Damian olhou-me ternamente enrolando o meu cabelo no seu indicador. Estávamos mais no fundo da caverna. Eu iria sentir falta dos seus belos olhos azuis. Mas sua nova cor dizia-me que iria ficar com ele por toda a eternidade.
- Você é bem maluquinha, sabia? - perguntou passando o polegar no meu nariz.
- É? - indaguei mordendo o lábio inferior. - Só se for por você. - respondi pegando sua nuca e puxando sua cabeça para beijá-lo e minha força nos fez derrubar e ele cair por cima de mim. Rimos.
- Precisa aprender a ser vampira.
- E você também. - ele e inclinou lentamente e me beijou.
Um cheiro de sangue diferente atingiu nossos narizes informando que Dimitry transformava Hanako em vampira. E o casarão estava a quilômetros e quilômetros de distancia da caverna. Continuamos nos beijando e eu chorei de novo o fazendo parar.
- O que foi? - perguntou segurando as costas de minha mão em sua nuca.
- Você me assustou. Quase morreu.
- Eu vi seu esforço por mim enquanto bebia meu sangue. E lutei para permanecer vivo. - disse pegando minha mão e levando ao seu rosto sentindo sua pele fria e tão gostosa como um veludo. - Tudo que você viu da minha vida eu vi também. Depois quando seu sangue correu nas minhas veias e vi o que aconteceu depois que eu levei o tiro procurei agarrar a minha vida.
- Eu fiquei impressionada do quanto você sofreu e de o quanto você me amava. Quando eu quase lhe perdi eu achei que uma parte minha iria morrer e agi sem pensar.
- Eu faria o mesmo se estivesse em seu lugar. - confessou beijando minha mão sedutoramente. Depois inclinou no meu ouvido e sussurrou: - Ainda estou morno... Não quer saber como é fazer sexo com um vampiro?
Eu rir de volta, pegando sua mão colando sobre meu peito esquerdo e ele afastou para olhá-los.
- Sinta o presente que eu ganhei.
- Não foi somente isso que você ganhou. - disse ainda mais malicioso dobrando minha perna e acariciando meu traseiro arrancando nova risada minha.
- E você? - eu perguntei levando minhas mãos enfiando-a dentro da sua calça. Aquela sua magreza desapareceu e seu membro que já era enorme, ficou um pouco maior. - Não quer saber como é fazer sexo com uma vampira?
- Hum... Isso vai ser muito bom, pois teremos toda a eternidade. - disse com um sorriso de canto inclinando o corpo e eu levei minhas mãos para as suas costas.
- E eu também. - concordei dando um sorriso de canto e ele aproximou-se beijando-me novamente.
Se quando eramos humanos nossas peles eram compatíveis e tínhamos um prazer violento, na versão vampira era algo indescritível.Demos mordidas um no outro, pois isso era prazeroso e inevitável, nos sujando de sangue e suor. Cada movimento dos nossos corpos era em uma sincronia perfeita. Cada toque era único e procuramos deslizar a ponta dos dedos para não usar força. Até os movimentos de penetração do Damian eram calculados para não me machucar e depois de um tempo o ritmo tomou conta o deixando mais livre.
- "Se eu pudesse derreter e me unir a você eu me derreteria." - falei em pensamento.
- "Eu também. Unir os nossos corações em um só."- concordou em resposta.
Da mesma forma que eu ganhei curvas e volume, Damian ganhou massa muscular e um corpo mais largo.
Depois ficamos abraçados deitados nos lambendo para limpar o sangue e o suar parecendo dois gatos. Antes meu corpo  humano que qualquer coisa doía agora era bem flexível.
- Yufi. - chamou ele parando de se limpar e eu parei para ouvi-lo virando-me. - Eu te amo.
- Eu também te amo, Dan. - respondi sorrindo dando um apelido para ele que suspirou. Novo puxão e abraço de urso, só que dessa vez ele usou menos força. Encostei a cabeça em seu peito ouvido seu coração batendo no mesmo ritmo. Era uma bateria sendo batida assim bum... bum... bum... fechei meus olhos brevemente.
- Euphy... E a sua família? Precisamos pensar algo para que eles não venham atrás de nós.
- É verdade. - concordei. - O primeiro problema será o hospital que a essa altura já deve ter informado minha irmã que você sumiu.
- Então devemos ir visitá-la. - comentou Damian se levantando fazendo-me sentar.

A cara que minha irmã fez foi das melhores. Primeiro que invadimos seu pequeno apartamento as 3 horas da manhã. Ela dormia com seu namorado Drake nus. Damian ficou na sala e eu fui para seu quarto. Ao sentir minha presença sinistra vampírica, Elisa acordou.
- Hum... Ah! Quem é você?! - indagou assustada acordando o namorado.
- Será que eu mudei tanto irmãzinha? - comentei com um sorriso de canto. Ela reconheceu minha voz.
- Euphi? O-o que você está fazendo aqui? - perguntou cobrindo sua nudez com o lençol e Drake sentou na cama calado como sempre. - Aliás como você entrou e invadiu meu quarto?
- Muito simples mana. - respondi em tom de deboche caminhando até a janela. A luz do lado de fora iluminava o pequeno local. Abri lentamente meus olhos e pelo grito de Elisa e o gemido de susto de Drake os fizerem entender o que aconteceu.
- O-o que é isso Euphimea? E o Damian? O hospital ligou dizendo que ele sumiu. Voltei a dormir agora a pouco.
- Ele está na sala quer que eu o chame? - perguntei e ela respondeu de imediato.
- Não! Vá para a sala que logo iremos falar com vocês.
Sentados no sofá da sala Drake e Elisa nos olhavam assombrados. Ambos em pé e semi-abraçados os encaravam. O cheiro deles era tentador, mas como nossa sede fora saciar não desejamos atacá-los.
- No que vocês se transformaram? - perguntou Drake. Era raro ouvir sua voz.
- Vampiros. - respondeu Damian.
Elisa deu um pulinho e sua cara era ainda mais assustada e eu resolvi explicar:
- Como o estado de Damian era muito grave eu... Desesperei-me. Não queria que ele morresse, não conseguiria viver sem ele.Então eu tenho um amigo... Um vampiro que conheci a noite na colégio quando esqueci algo. Ele se chama Dimitry e mora na casa da colina perto do colégio. Eu pedi para ele me transformar e depois fiz com Damian.
- Hum... E você irá se esquecer de nós? - indagou Elisa levemente triste e aborrecida.
- Não. - respondi. - Enquanto estiverem vivos estaremos observando vocês.
- Elisa. - chamou Damian. - Ninguém sabe dessa nossa transformação e ... Nós queremos que continue assim.
- Precisamos de dois atestados de óbito. - falei. - Para o caso civis. Mas com relação aos nossos amigos nós... morremos.
- Mas... - mal ela terminou de dizer nos desaparecemos.
Fomos para a casa de Castiel, ele também precisava saber e vigiar Elisa para que nada escape. Mesmo que isso aconteça nós iriamos da região. Meus pais iriam ter um treco ao saber que eu morri. E sei que Elisa não vai consegui falar, então a melhor pessoa para isso é o Castiel.
Ele dormia profundamente apenas de cueca. Eu iria brincar com ele, ou melhor fazer uma vingancinha. E Damian já sabia disso.
Subi em sua cama e fiquei sobre ele o encaranto até que abrisse os olhos. Ao sentir minha presença ele abriu os olhos de repente dando de cara com os meus.
- Que porra é essa?! - gritou e eu tampei a sua boca.
- Acho melhor você ficar quieto Castiel. - disse ameaçando querendo rir, porém era mais fácil controlar meus sentimentos agora.
- Euphi? - perguntou com a voz abafada pela minha mão.
- Hum... Eu realmente mudei, não acha? - perguntei zombeteira e inclinei para o seu ouvido, tirei a mão de sua boca o ameaçando. - Sem gritar ou fazer escândalo.
- Não faço esse tipo de coisa, não sou otário. - respondeu levando os braços na minha costas.
- Não toque em mim. - rosnei o fazendo parar. - Ou eu arranco a sua cabeça.
- Nossa está tão assustadora. - zombou sem acreditar que eu estava mudada.
- Como você consegue ser ainda mais idiota? - perguntei furiosa o levantando da cama pelo pescoço e nesse momento que ele deu conta que eu mudara. Suas mãos seguraram meu braço e disse:
- E... Euphi... você... está... me... sufocando. - eu o soltei caminhando graciosamente sobre a cama até a beirada dela.
- Ajude Elisa com o que ela precisar. E se alguém perguntar por mim ou Damian diga que estamos mortos. - ordenei de costas para ele.
- Por que eu deveria me preocupar com isso? - perguntou e correu para o interruptor acendendo a luz que cegou-me de imediato. Logo meus olhos se adaptaram rapidamente com a claridade como os olhos de um gato.
- Hu... E eu pensei que poderia contar com você. - respondi  e estava furiosa.
- Ficou gosta Euphi. - brincou pegando em um seio meu e eu dei um tapa na sua mão.
- Eu deveria arrancar suas mãos fora! Idiota! - rugir saltando sobre ele o derrubando no chão. E o mordi de tão furiosa em que eu estava. E pus-me a sugar seu sangue o fazendo gemer com o movimento dos meus lábios.
Vida de Castiel  era assim. Desde pequeno ele vivia sozinho e sua avó as vezes vinha cuidar dele. Logo arrumaram uma babá e seus pais sempre ausentes. Castiel para esconder que é um garoto sensível usou uma mascara de durão. Foi forçado a entrar em Sweet Amoris pelos seus pais para aprender sobre o amor e cada dia que passava lá mais ele odiava. Todas as garotas que se aproximavam dele não o interessava apenas uma. A Debrah. Vê-los se relacionando deu-me nojo. Então vi como eles terminaram, ou melhor como ela terminou com ele. Sua dor foi imensa.
Então eu entrei na escola. Ao me ver ele me considerou uma garota comum, mas o que me fez ser especial a para Castiel foi por eu passar tanto tempo fugindo dele. No começo ele achou divertido e resolveu brincar comigo, porém não sabia que seu coração fora fisgado.
- Vai levar todo o meu sangue Rainha Vampira? - perguntou, mas não foi de deboche e sim um elogio. Deixou-me frustada, pois eu queria assustá-lo.
- Você não se assusta mesmo, não é?
- Não. Eu sei que é você, a Euphimea que eu conheço. - disse me abraçando. - Mesmo sendo vampira sei que não me mataria.
- Está se achando muito. - disse controlando o quanto eu estava irritada.
- De boa. - falou. - Eu vou guardar seu segredinho. - depois disse ousadamente no meu ouvido. - Queria saber como é transar com uma vampira.
- Idiota! - exclamei me levantando e dando um chute nele o arremessando contro o armário. - Não faça a Ichigo sofrer, se o fizer a Euphi que você conhece deixará de existir.
Ele não falou nada de tanta dor que sentia. Não queria que fosse assim, mas Castiel sabia me tirar do sério. Caminhei para fora e encontrei com Damian no caminho.
- Pelo visto não conseguiu assustá-lo.
- Não, ele é idiota demais para isso. - respondi em um rosno olhando para trás e Damian se inclinou lambendo minha boca lambuzada.
- Uma dama da noite não pode sair por ai suja assim. - brincou depois que terminou de me limpar.
- Gostou? - perguntei atrevida.
- Não é de qualidade, mas... Deu para enganar minha sede que foi despertada pelo cheiro do sangue em sua boca.
Castiel saiu do quarto com a mão sobre a barriga e se apoiando nas paredes. Ficou surpreso ao ver Damian transformado.
- Então você jogou sua vida fora por causa dele?
- Ele foi o primeiro a jogar a vida fora para me proteger. - respondi o observando com o rosto de lado em um olhar de soslaio. - Eu te amei muito Castiel, mas... Você não confiou em mim no momento que eu mais precisei de você.
- Venha minha dama. - chamou Damian estendendo a mão. - Não disperdesse suas palavras com alguém que não sabe amar.
E desaparecemos. Para garantir que nosso segredo não vaza-se tivemos o trabalho de enviar carta anonima para nossos amigos. Quando acordassem iriam ver um bilhete em branco. Mas que logo seria escrito magicamente com sangue as seguinte palavras:

" Euphimea Midori e Damian Tadaski morreram no dia 23/02/2014".     
             
- O que faremos agora? - indagou Hanako abraçando a cintura de Dimitry.
- O sol está nascendo. - comentou Dimitry olhando para o horizonte e os primeiros raios de sol iluminava a manhã pálida.
- Vamos pensar hoje a noite. É hora de dormir. - falou Damian colocando a mão no meu ombro.
- Sim. Temos a eternidade para fazer tanta coisa. - completei com um sorriso e me aproximando de Hanako. - Como está se sentindo?
- Melhor que nunca. - respondeu com um sorriso. Olhei para o Dimitry.
- Obrigado pela ideia Euphi. Temi dela não aceitar. 
- No fundo ela te amava. - completei voltando para Damian. - Da mesma forma que eu amo esse doido que faz cada loucura por mim. - brinquei o abraçando.
- Eu? Quem foi que se transformou em vampira para me salvar. 
- É, mas quem se jogou na frente da bala foi você. 
- Acho que esses dois vão discutir quem ama mais por toda eternidade. - comentou Hanako. 
- Eu te amo Hanako. 
- Eu também Dimitry. Perdão por fazê-lo esperar por tanto tempo. 
- Precisaremos de uma casa maior. - comentei virando-me para eles. - Algo mais moderno e em outro lugar. 
- A nossa família pode crescer mais quem sabe. - anunciou Damian. 
- É quem sabe. - concordei. - Temos toda a eternidade para pensar.
Dimitry e Hanako se juntou a nós e caminhamos para o casarão da colina. Noir apareceu voando na nossa frente. 
- Bem vindos ao seu novo lar. Vamos descansar que o dia e longo e a noite será maravilhosa.
Sorrimos para ele e entramos para a nosso sono de doze horas. 


Esse foi o final Original da Fã Fic. Espero que tenham gostado.

FIM



Eu acho que já pus essa música, mas como eu simplesmente a amo e sempre chorando ouvindo, não sei porque.

     



            






{ 16 comentários... read them below or Comment }

  1. Desculpe as Castietes, mas como virei Lysandrele e não podia ficar com o Ly, então criei o Damian. Ele seria alguém parecido com o Ly, mas quando achei essa imagem o achei muito lindo e de repente comecei a gosta muito dele, então esse é o final da fic. Beijos para vocês. Se futuramente tiver tempo para mais fic eu aviso aqui. Porém será mais curta, já nem sei mais o que escrevi nessa. Até. ;) Ah! E próximo post será a divulgação do meu livro.

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    1. Muito Obrigado sua fic é espetacular.. espero q venham muitaas e muuitas, acho q foi a melhor fic q ja vi.. vc tem muito talento .. Obrigado Euphi BJS

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    2. Muito legal esse fic .Espero que continue escrevendo mais sobre essa historia linda.

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  2. Eu gostei muito do final *^*
    Pensar q chegou nesse número de capítulos hein õ///
    Estou ansiosa com o livro hehe ~~
    <3

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  3. Awwwwwn, que final <3
    Poxa, chega chorei :3
    Parabéns, Euphy!
    Ansiosa para ler o seu livro :'(

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  4. Perfeito <33 Li a fic toda em apenas 2 dias , amei demais <333 Ta de parabéns Euphi

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  5. Awnn q pena q acabou..
    Estou ansiosa pelo livro.
    Parabéns!!

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  6. Você esta realmente de parabéns Euphy, nem da para acreditar que acabou =\
    Espero ler outra fanfic sua o mais breve possível *---*

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    1. Eu não ia mais fazer fã fics, mas nâo resistir. >.<

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    2. Você não sabe o quanto fico feliz por você não ter resistido *O*

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  7. Awwwwn muito triste por ter acabado :'(
    Mas foi liiindo esse final <3

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  8. foi incrível como sempre, n pod acaba...

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  9. ai Euphy, eu amei. vc esta de parabéns. mas vc poderia dar mais pouco d continuidade, para crescer essa familia, para demitry ter uma menina, e vc e damian ter um menino, e quem sabe eles namorarem... srsrsrsrsrsrsrsr. bjs espero q vc queira continuar essa historia,

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  10. Gostei da história... mas e a vingança contra a Ambre???

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  11. Me desculpe não era Ambre era Debrah que eu queria dizer. Gostei muito da Euphi ter montado uma banda e ter começado a fazer sucesso. Também adorei as personagens, e apesar de começar acompanhar só agora, em dois dias li toda a história!! Parabéns e obrigada, por mesmo não tendo tanto tempo não nos abandonou e criou um final ótimo para as personagens!! Bjs

    PS: sou atrapalhadinha mesmo e me desculpe pelo engano

    Galadriel

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  12. Já acompanhava sua fanfic à tanto tempo,mas só agora decidi comentar.Sempre achei sua fanfic maravilhosa,ficava anciosa,esperando por um novo capitúlo,porém a fanfic tomou um rumo que eu realmente não esperava,por ser castiete,mas independente de tudo,a fanfic é maravilhosa!!

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Por favor não me cobrem quando irei postar.
E por favor respeitem as opiniões e não comentem coisas que podem ser construtivas, pois elas soam como critica.
Obs: Essa ideia é protegida pela lei 9610 de 19/02/1998, qualquer cópia ou rescrição da mesma como plágio, repete a punição conforme consta em lei.
Ou seja, eu sou a criadora, eu sou a única dona.

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